Sob o lema “Portos Lusófonos: da Competência à Competitividade Global”, a 1.ª Mesa Redonda dos Comités Técnicos da Associação dos Portos de Língua Oficial Portuguesa (APLOP), realizada nos dias 8 e 9 de Julho, na Academia do Porto de Luanda, terminou com a aprovação de recomendações destinadas a reforçar a competitividade dos portos lusófonos, através da cooperação técnica, da inovação, da digitalização e da valorização do capital humano.

Segundo o coordenador-geral dos Comités Técnicos da APLOP, Domingos Jones, os trabalhos permitiram identificar necessidades comuns aos portos membros, que deram origem às recomendações agora aprovadas.

O responsável destacou que um dos principais desafios identificados foi a qualificação dos profissionais. “Durante as reuniões, verificou-se uma necessidade ampla de todos os países membros reforçarem a capacitação do pessoal que opera nos portos da APLOP”, afirmou, acrescentando que “há necessidade de ter a capacidade humana bem formada para dar resposta a todas estas necessidades”.

Sobre a inovação, defendeu uma maior aposta na transformação digital. “Temos a inteligência artificial e uma digitalização muito forte que precisa de ser cada vez mais utilizada a nível dos portos da APLOP”, salientou.

Entre as recomendações aprovadas, o Comité de Direito Portuário e Marítimo propôs a harmonização dos regimes jurídicos portuários e mecanismos comuns de resposta aos riscos geopolíticos da navegação internacional. O Comité de Turismo e Cruzeiros recomendou a criação de uma rede de cooperação entre os portos lusófonos e de um roteiro integrado de cruzeiros, enquanto o Comité de Inovação,

Sustentabilidade e Digitalização defendeu a interoperabilidade e a partilha de dados, a definição de referenciais mínimos de cibersegurança e a utilização da inteligência artificial na gestão portuária. Já o Comité de Desenvolvimento do Capital Humano propôs a criação de um catálogo anual de formação, de uma bolsa de especialistas e da Academia APLOP, bem como a harmonização da certificação profissional e o desenvolvimento de programas conjuntos de capacitação.

Domingos Jones considerou existirem condições para a implementação das medidas. “O propósito desta associação é o desenvolvimento de todos os portos membros. Portanto, deverão ser criadas condições para que cada um cumpra com as recomendações aprovadas”, concluiu.

As conclusões e recomendações serão submetidas aos órgãos competentes da APLOP e servirão de documento orientador para os trabalhos do 17.º Congresso da Associação, que terá lugar em Novembro de 2026, no Rio de Janeiro. Por consenso, foi também aprovada a realização da 2.ª Mesa Redonda nos dias 7 e 8 de Julho de 2027, no Brasil, de modo a dar continuidade à implementação das medidas aprovadas em Luanda.