Porto de Luanda reforçou, no dia 5 de Novembro, o compromisso de construir uma cultura institucional de conformidade, ética e integridade, ao promover uma mesa-redonda dedicada à cultura organizacional, liderança e compliance, no âmbito do workshop “Compliance: Uma Cultura em Construção”. A iniciativa reuniu especialistas e trabalhadores para reflectirem sobre práticas que orientam a actuação correcta e transparente na organização.

O encontro contou com as intervenções de Emanuel Bernardo, Silvestre Manjolo e João Dono, que destacaram que o compliance depende do alinhamento entre pessoas, processos e tecnologia, elementos essenciais para assegurar que as decisões da instituição obedeçam aos normativos internos e às políticas vigentes. Os oradores sublinharam que o papel das equipas de compliance não é decidir, mas garantir que quem decide o faz dentro das conformidades estabelecidas.

Os especialistas abordaram a importância do controlo interno, reforçando que a organização deve ter sensibilidade para avaliar se os procedimentos são  efectivamente cumpridos. A transformação da cultura organizacional, afirmaram, passa por mudanças de atitude, o que nem sempre é imediato.

Para João Dono, o compliance não se define pela existência de um departamento formal, mas pela forma como a instituição age. “Há empresas que não possuem estrutura formal de compliance e actuam correctamente, enquanto outras, com profissionais competentes, não seguem as regras. A liderança, a cultura e o compliance formam um conjunto único: quando a liderança dá exemplo, o compliance torna-se consequência”, afirmou.

O orador acrescentou que a liderança deve ser entendida como atitude e não apenas como função hierárquica. “O compliance sempre existiu; tornou-se institucional quando deixámos de agir com ética”, observou.

Por sua vez, Silvestre Manjolo, da Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG), salientou que o compliance funciona como prevenção de delitos corporativos, tanto no ambiente interno como externo. Alertou para os riscos da não conformidade, que podem envolver multas, sanções, rescisões contratuais e danos reputacionais.

À margem da actividade, o chefe do Departamento de Compliance do Porto de Luanda, Rafael Nangayafina, explicou que o objectivo principal da actividade foi fortalecer a compreensão do compliance como instrumento de controlo interno e de definição da cultura organizacional. “A avaliação é positiva. A participação activa dos trabalhadores demonstra a necessidade de continuarmos a investir na sensibilização, promovendo actividades que reforcem a ética e a integridade”, afirmou.

O responsável acrescentou que os convidados foram seleccionados pela experiência e pelo contributo que têm dado na área, actuando como formadores, gestores e técnicos. O Porto de Luanda pretende avançar com novas acções para 2025, visando a consolidação da cultura de compliance.